Quanto é a pensão alimentícia? Como o juiz calcula o valor
Não existe percentual fixo na lei. Veja como o juiz chega ao valor da pensão, o que entra na conta e como provar os gastos do seu filho.

Não existe um percentual fixo de pensão alimentícia na lei brasileira. O juiz define o valor pelo equilíbrio entre as necessidades do filho, a possibilidade de quem paga e a proporção da renda de cada genitor, conforme o art. 1.694 do Código Civil. Os 30% do salário são só um costume, não uma regra: o valor pode ser maior ou menor, dependendo das provas.
"Pensão é 30% do salário" é provavelmente a frase mais repetida e mais equivocada sobre o assunto. A lei nunca fixou esse número. Ele virou costume porque aparece em muitas decisões, mas cada caso é calculado a partir da realidade daquela família.
Entender como o juiz pensa é o que permite pedir o valor certo e, principalmente, provar que ele é justo.
O que é a pensão alimentícia?
Pensão alimentícia é o valor que um genitor paga para garantir as necessidades do filho, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário e lazer. O nome engana: "alimentos", no Direito, abrange tudo o que a criança precisa para viver com dignidade, e não só a comida.
A obrigação é dos dois genitores. Quem mora com a criança contribui no dia a dia, com cuidado e despesas diretas; quem não mora contribui com a pensão.
Como o juiz calcula o valor da pensão?
O Código Civil determina que os alimentos sejam fixados na proporção das necessidades de quem recebe e dos recursos de quem paga (art. 1.694, § 1º). Na prática, o juiz olha para três pontos:
| Critério | O que o juiz avalia |
|---|---|
| Necessidade | Quanto a criança custa por mês: escola, plano de saúde, alimentação, moradia, transporte, terapias, atividades |
| Possibilidade | Quanto quem paga ganha de fato, incluindo bens, padrão de vida e sinais exteriores de riqueza |
| Proporcionalidade | Quanto cada genitor ganha, para dividir os custos de forma proporcional à renda de cada um |
Um exemplo de rateio proporcional
Imagine uma criança cujos gastos comprovados somam R$ 3.000,00 por mês. A mãe ganha R$ 4.000,00 e o pai, R$ 8.000,00. A renda somada é de R$ 12.000,00: a mãe responde por um terço dela e o pai, por dois terços.
| Renda | Proporção | Parte nos gastos | |
|---|---|---|---|
| Mãe | R$ 4.000,00 | 33% | R$ 1.000,00 |
| Pai | R$ 8.000,00 | 67% | R$ 2.000,00 |
| Total | R$ 12.000,00 | 100% | R$ 3.000,00 |
Nesse cenário, uma pensão de R$ 2.000,00 corresponde a 25% da renda do pai. Se os gastos da criança fossem maiores, o percentual também seria. É por isso que a regra dos 30% não se sustenta.
Como provar os gastos do meu filho?
A prova dos gastos é o coração do pedido. Quanto mais organizada, mais perto da realidade fica a decisão.
- Monte uma planilha mensal com cada despesa da criança, separando as fixas (escola, plano, aluguel proporcional) das variáveis (farmácia, roupas, lazer).
- Junte comprovantes: boletos, notas fiscais, recibos, extratos e contratos.
- Calcule a parte da criança nas despesas da casa, como aluguel, energia, água e internet, de forma proporcional ao número de moradores.
- Registre gastos extraordinários, como terapias, tratamentos, material escolar e uniforme, que muitas vezes são esquecidos.
A pensão pode ser revista depois?
Sim. Se a situação financeira de quem paga ou as necessidades da criança mudarem, qualquer das partes pode pedir a revisão do valor, para mais ou para menos (art. 1.699 do Código Civil). Um filho que começou uma terapia, mudou de escola ou cresceu e passou a custar mais é motivo comum de pedido de aumento.
E se o pai não pagar?
A dívida de pensão pode ser cobrada pelo rito da prisão, que alcança as três últimas parcelas vencidas antes da ação e as que vencerem durante o processo (art. 528, § 7º, do Código de Processo Civil e Súmula 309 do STJ). Também é possível cobrar pelo rito da penhora, com bloqueio de contas, salários e bens, além do protesto do nome do devedor.
Perguntas frequentes sobre o valor da pensão alimentícia
A pensão é sempre 30% do salário?
Não. Esse percentual é só um costume. A lei manda equilibrar as necessidades do filho, a possibilidade de quem paga e a renda de cada genitor, e o valor pode ser maior ou menor que 30%.
Se o pai está desempregado, ele fica sem pagar?
Não. O desemprego não extingue a obrigação. O juiz costuma fixar a pensão em percentual do salário mínimo enquanto durar a situação.
A mãe que trabalha recebe menos pensão?
A renda da mãe entra na conta da proporcionalidade, mas trabalhar não tira o direito do filho à pensão. Cada genitor responde pela sua parte dos gastos.
Posso pedir pensão durante a gravidez?
Sim. Os alimentos gravídicos, previstos na Lei nº 11.804/2008, cobrem as despesas da gestação e, após o nascimento, são convertidos em pensão para a criança.
Até quando a pensão é paga?
A maioridade não encerra a pensão automaticamente. Ela pode continuar, por exemplo, enquanto o filho estiver estudando, e o fim depende de decisão judicial.
O valor justo nasce da prova
A pensão não é uma porcentagem tirada da cartola: é a tradução, em dinheiro, da vida real da criança e da renda real dos pais. Quem chega ao processo com os gastos organizados e com informação sobre a renda de quem paga tem muito mais chance de receber um valor que cubra o que o filho de fato precisa.
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